Projeto Coral Vivo realiza Oficinas Livres da Década do Oceano


31/08/2026


O Projeto Coral Vivo, patrocinado pela Petrobras através do Programa Petrobras Socioambiental, e agora oficialmente endossado pela Organização das Nações Unidas (ONU) para promover ações da Década do Oceano, integra ativamente a mobilização nacional “Vozes para o Futuro”, liderada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO) e pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O projeto se junta a este amplo processo de Oficinas Livres que tem como objetivo atualizar o Plano Nacional de Implementação da Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável, instituído pela ONU para o período de 2021 a 2030.

 

A Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável está em preparação para a Conferência da ONU da Década do Oceano, que ocorrerá em abril de 2027 no Brasil. Nesse cenário, as Oficinas Livres são encontros autônomos, autogestionados e descentralizados, que buscam mapear demandas e propor soluções locais voltadas à conservação marinha partindo da própria comunidade. Essas propostas territoriais são fundamentais, pois são enviadas ao INPO para subsidiar as diretrizes políticas, climáticas e oceânicas brasileiras.

 

O Projeto Coral Vivo está realizando Oficinas Livres em cooperação com diversos parceiros estratégicos diretamente em seus territórios de atuação. Para potencializar esse movimento, foi realizada uma Oficina Livre de Formação voltada especificamente para os Coletivos Jovens apoiados pelo Projeto Coral Vivo. Os Coletivos Jovens para o Meio Ambiente foram criados como estratégia governamental de mobilização social para a Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente em 2003, ancorada por políticas públicas do Ministério da Educação e do Ministério do Meio Ambiente.

 

O principal objetivo desse encontro formativo foi preparar a juventude para liderar debates e atuar como multiplicadores da governança marinha em suas próprias realidades. O resultado consistiu na sistematização dos dados do Tema 5 que aborda Cultura Oceânica e Justiça, Equidade, Diversidade e Inclusão (JEDI). De forma totalmente online, os jovens trabalharam junto às equipes das coordenações regionais do Coral Vivo para estruturar e validar as visões e soluções dos territórios de São Sebastião, em São Paulo, Rio de Janeiro, na capital, e Região dos Lagos, também no Rio de Janeiro, Caravelas, Abrolhos e Arraial d’Ajuda, na Bahia, Alagoas e Pernambuco. O foco neste tema não ocorre por acaso. A Cultura Oceânica visa consolidar o entendimento de como o mar influencia nossas vidas e de que maneira nossas escolhas impactam no oceano. Ao unir esse conceito aos valores de diversidade e inclusão, garante-se que populações tradicionais, caiçaras, pescadores artesanais e a juventude tenham voz ativa no monitoramento da Década do Oceano no país. Com essa iniciativa, a juventude do projeto assume um papel protagonista, participando e gerando dados para contribuir e fortalecer as metas globais de conservação marinha a partir de suas realidades locais.

 

Nessa mesma frente de mobilização territorial, o Projeto Coral Vivo liderou, no dia 17 de agosto de 2026, uma Oficina Livre da Década do Oceano em Alagoas, realizada no Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), em Maceió. A atividade foi promovida em parceria com o Projeto Ecológico de Longa Duração (PELD) Costa dos Corais/UFAL, o Programa Cidadania Azul/UFAL e o Projeto Meros do Brasil, e teve como foco o Tema 1 da Conferência da Década do Oceano, “Conservação, Uso Sustentável dos Recursos e Combate à Poluição”.

 

Participantes do Projeto Coral Vivo reunidos em roda de conversa durante Oficina Livre da Década do Oceano em Maceió.
Oficina Livre da Década do Oceano em Maceió (AL).

 

O encontro reuniu um público majoritariamente acadêmico, dentre eles estudantes de graduação e pós-graduação, professores e pesquisadores, além de representantes de projetos e organizações da sociedade civil, com o objetivo de promover um espaço de diálogo e construção coletiva sobre os avanços, desafios e prioridades da conservação dos ecossistemas costeiros e marinhos no estado.

 

“A oficina proporcionou um espaço de troca e de construção coletiva entre pessoas mais jovens e profissionais mais experientes na área da conservação em Alagoas. O que foi importante para mostrar, sobretudo para os mais jovens, como a gente pode participar da construção desses planos e documentos que podem vir a se tornar políticas públicas. Outro ponto interessante é que até o momento, essa foi a única oficina cadastrada no site do INPO para o estado de Alagoas. Então, foi uma oportunidade de colocar Alagoas nesse mapa, tendo em vista a importância e a relevância da nossa paisagem, dos ecossistemas marinhos e costeiros no estado.”, compartilha Norah Gamarra, Assessora Ambiental da Regional Pernambuco do Projeto Coral Vivo.

 

Integrantes do Projeto Coral Vivo, UFAL e Meros do Brasil reunidos na Oficina Livre em Alagoas.
Norah Gamarra (Coral Vivo), Karla Paresque (UFAL), Tiago Albuquerque (Meros do Brasil) e Amanda Valadão (UFAL).

 

Entre os avanços apontados pelos participantes estão o fortalecimento de projetos e iniciativas comunitárias de conservação costeira e marinha em Alagoas, ações de monitoramento, a presença de unidades de conservação e a inserção da cultura oceânica na educação. Já entre os desafios que permanecem, o grupo destacou a degradação dos ecossistemas costeiros, a poluição, a perda de restingas e corais, a presença de espécies marinhas invasoras, a ocupação desordenada do litoral e a pressão do turismo e da especulação imobiliária, além de fragilidades na fiscalização e na implementação das políticas ambientais.

 

As Oficinas Livres em Alagoas e com os Coletivos Jovens mostram como o Projeto Coral Vivo vem colocando em prática a proposta da Década do Oceano, que é ouvir quem vive e trabalha pela conservação marinha em cada território, da juventude aos pesquisadores e comunidades tradicionais. É esse material que segue agora para o INPO, ajudando a construir as diretrizes que o Brasil vai levar para a Conferência da ONU da Década do Oceano, em abril de 2027. Mais do que uma etapa cumprida, essas oficinas mostram um movimento que já está em andamento e que só tende a crescer até lá.

 

Sobre o Projeto Coral Vivo

 

O Projeto Coral Vivo integra o Instituto Coral Vivo, OSCIP referência nacional na conservação de ambientes costeiros e marinhos no Brasil, incluindo recifes de coral, restingas e manguezais. Criado em 2003 no Museu Nacional/UFRJ, o projeto nasce da experiência acumulada de seus pesquisadores, com mais de 40 anos de atuação na área. Patrocinado pela Petrobras desde 2006, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, desenvolve ações integradas de pesquisa científica, educação, políticas públicas, comunicação e mobilização social voltadas à proteção dos ecossistemas coralíneos. Conta ainda com o copatrocínio do Arraial d’Ajuda Eco Parque e parcerias com diversas universidades e instituições de pesquisa no país. O Projeto Coral Vivo integra a Rede Biomar e a REDAGUA, iniciativas colaborativas voltadas à conservação da biodiversidade marinha e à proteção de ecossistemas costeiros.

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