Conhecer para conservar: pesquisa avalia a biodiversidade do Recife de Areia, em Alcobaça (BA)


10/07/2026


Já imaginou uma piscina natural de águas cristalinas, com fundo de areia, cercada por recifes e repleta de corais, peixes e tartarugas marinhas? E tudo isso a apenas uma hora de navegação da costa? Esse é o Recife de Areia, localizado próximo ao município de Alcobaça (BA), entre o Parcel das Paredes e Timbebas, no entorno do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, extremo sul da Bahia.

 

Um dos destinos mais procurados da região, o Recife de Areia recebe um número crescente de visitantes, especialmente durante a alta temporada, quando mais de 50 embarcações podem ocupar a área ao mesmo tempo importante. Embora o turismo seja importante para a economia local, o aumento da visitação também traz desafios para a conservação, como poluição sonora, descarte inadequado de resíduos, circulação de embarcações sobre os recifes e o pisoteio de corais.

 

Criado como Parque Natural Marinho em 1999, o Recife de Areia conta, desde 2021, com um Plano Emergencial de Uso do Parque. A gestão da unidade é compartilhada entre a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e o Conselho Municipal de Meio Ambiente de Alcobaça. Em 2025, o Projeto Coral Vivo passou a integrar o Conselho e foi convidado a contribuir com estudos científicos que auxiliassem a gestão da unidade de conservação.
 
Uma pergunta antes de qualquer estratégia
 

Mas, antes de definir estratégias de conservação, era preciso responder a uma pergunta essencial: qual é a biodiversidade do Recife de Areia? Apesar de ser um dos recifes mais conhecidos da região, ainda existiam poucas informações científicas sobre sua fauna e cobertura bentônica. Foi a partir dessa necessidade que o Projeto Coral Vivo, patrocinado pela Petrobras através do Programa Petrobras Socioambiental, iniciou uma pesquisa para gerar informações que orientem a gestão e a conservação desse importante patrimônio natural.

 
Duas etapas, dois olhares sobre o recife
 

O estudo foi dividido em duas etapas. A primeira, realizada em março de 2026, consistiu no levantamento da biodiversidade de peixes recifais e organismos bentônicos. Foram realizados 20 transectos em cada uma das três zonas de manejo, totalizando 60 censos visuais de peixes. Além disso, foram registradas 2.400 fotografias do fundo marinho, que estão sendo analisadas em um programa especializado para identificar a cobertura bentônica. A segunda etapa será realizada entre janeiro e março de 2027, durante a alta temporada turística. Nessa fase, serão quantificados os impactos da visitação sobre o ambiente recifal, subsidiando ações de manejo e conservação da unidade.

 
Os resultados serão fundamentais para orientar a gestão da unidade de conservação e acompanhar a saúde dos recifes.
 
Uma linha de base diante de novas ameaças
 

A pesquisa torna-se ainda mais importante diante da chegada de espécies exóticas invasoras ao sul da Bahia, como o coral-sol e o peixe leão, ambos registrados pela primeira vez na região em janeiro de 2026, no Recife dos Itacolomis, em Corumbau, localizado ao norte do Recife de Areia.

 

“Esta pesquisa estabelece uma linha de base sobre a biodiversidade do Recife de Areia. Somente conhecendo quais espécies vivem no local hoje será possível avaliar, no futuro, os impactos provocados pela chegada de espécies invasoras e por outras pressões sobre esse ambiente”, explica Manoela Lelis, Gerente da Regional Abrolhos do Projeto Coral Vivo.

 

Ao final do estudo, os resultados serão apresentados à comunidade, à Secretaria Municipal de Meio Ambiente e ao Conselho Municipal de Meio Ambiente de Alcobaça, contribuindo para o planejamento de ações que conciliem turismo, conservação e uso sustentável desse importante patrimônio natural.

 
 

 
 

 
 
Sobre o Projeto Coral Vivo
 

O Projeto Coral Vivo integra o Instituto Coral Vivo, OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) referência nacional na conservação de ambientes costeiros e marinhos no Brasil, incluindo recifes de coral, restingas e manguezais. Criado em 2003 no Museu Nacional/UFRJ, o projeto nasce da experiência acumulada de seus pesquisadores, com mais de 40 anos de atuação na área. Patrocinado pela Petrobras desde 2006, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, desenvolve ações integradas de pesquisa científica, educação, políticas públicas, comunicação e mobilização social voltadas à proteção dos ecossistemas coralíneos. Conta ainda com o copatrocínio do Arraial d’Ajuda Eco Parque e parcerias com diversas universidades e instituições de pesquisa no país. O Projeto Coral Vivo integra a Rede Biomar e a REDAGUA, iniciativas colaborativas voltadas à conservação da biodiversidade marinha e à proteção de ecossistemas costeiros.

OUTRAS NOTÍCIAS