O que faz um cientista? Mais do que vestir um jaleco, manipular vidrarias, reagentes e instrumentos, um cientista é essencialmente um ser curioso com o ambiente ao seu redor.
Partindo dessa premissa nasceu o Projeto Jovens Naturalistas – uma iniciativa de educação ambiental idealizada pelo Projeto Coral Vivo e desenvolvida em parceria com o CEBIMar (Centro de Biologia Marinha da Universidade de São Paulo, em São Sebastião – SP) e a Secretaria Municipal de Educação de São Sebastião (SP).
Inspirado no livro Guia do Naturalista, publicação do Instituto Coral Vivo, o projeto adapta suas atividades investigativas para a realidade ecológica e socioterritorial do litoral norte do estado de São Paulo. A proposta é utilizar praias arenosas e costões rochosos como laboratório vivo para o aprendizado do método científico de forma lúdica e prática, promovendo cultura oceânica, pensamento crítico e um olhar curioso para o ambiente ao redor.

Em conjunto com a Secretaria de Educação, para a primeira edição do projeto foram selecionados 20 alunos entre os 7° e 9° anos, de 11 escolas municipais ao longo da costa de São Sebastião-SP. Até o momento, 5 das 11 turmas selecionadas participaram do projeto, totalizando 96 alunos. Ao final do ano de 2026 mais 6 turmas participarão das atividades e espera-se que 200 alunos da rede municipal de São Sebastião sejam impactados.

Acompanhados por quatro cientistas, os “Jovens Pesquisadores”, como indicam seus coletes, são instigados a investigar, observar, registrar, analisar, e formular hipóteses, utilizando o ambiente e a estrutura cedida pelo CEBIMar. Além do olhar curioso, os Jovens Pesquisadores são equipados com ficha de campo, lupas, luvas e instrumentos como microscópio e refratômetro (medidor de salinidade) para auxiliar em suas buscas científicas. A regra é clara: finalizar a atividade com mais perguntas do que respostas e com o gostinho do que é ser um cientista.
“O que a gente achou legal foi que a gente descobriu várias coisas novas e a gente também usou muitos equipamentos que a gente não tinha usado, tipo o refratômetro. Foi muito interessante a gente ter que apontar pra luz pra poder medir o sal da água!”
Quando a parte prática da atividade termina, os Jovens Pesquisadores são convidados a compartilharem suas investigações, perguntas ou hipóteses. Nesse momento, há uma rica troca de conhecimento entre os jovens e reflexões importantes sobre as observações feitas no território. Esta etapa consolida o que foi aprendido na prática e estimula a discussão crítica por parte dos alunos sobre temáticas sensíveis da atualidade.
“Achei incrível que, independente do lugar que a gente ia, sempre tinha lixo. Até mais para fundo achava lixo. Então você vê que a poluição, ela chega nos lugares que você nem pensa, que nem espera né? Mesmo aqui com entrada controlada e um ambiente conservado”
O Projeto Coral Vivo tem como objetivo consolidar o Projeto Jovens Naturalistas na região, expandindo-o para mais alunos e mais escolas. Acreditamos que através de atividades práticas e lúdicas, podemos criar uma nova geração de curiosos e apaixonados pelo meio ambiente. Ou mesmo, quem sabe, um cientista da natureza.

Sobre o Projeto Coral Vivo
O Projeto Coral Vivo integra o Instituto Coral Vivo, OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) referência nacional na conservação de ambientes costeiros e marinhos no Brasil, incluindo recifes de coral, restingas e manguezais. Criado em 2003 no Museu Nacional/UFRJ, o projeto nasce da experiência acumulada de seus pesquisadores, com mais de 40 anos de atuação na área. Patrocinado pela Petrobras desde 2006, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, desenvolve ações integradas de pesquisa científica, educação, políticas públicas, comunicação e mobilização social voltadas à proteção dos ecossistemas coralíneos. Conta ainda com o copatrocínio do Arraial d’Ajuda Eco Parque e parcerias com diversas universidades e instituições de pesquisa no país. O Projeto Coral Vivo integra a Rede Biomar e a REDAGUA, iniciativas colaborativas voltadas à conservação da biodiversidade marinha e à proteção de ecossistemas costeiros.