O Projeto Coral Vivo, patrocinado pela Petrobras através do Programa Petrobras Socioambiental, consolidou uma rede de seis Coletivos Jovens em atuação simultânea entre 2025 e 2026, sendo a maior mobilização de juventude já registrada pelo projeto. Do pioneiro Muká Mukaú, ativo desde 2015 no extremo sul da Bahia, aos mais recentes Ohana Kai e ReMar, formados neste ano em São Paulo e no eixo Pernambuco-Alagoas, os grupos reúnem hoje dezenas de jovens engajados na proteção dos ecossistemas costeiros e marinhos.
Os Coletivos Jovens para o Meio Ambiente nasceram como estratégia governamental de mobilização social, criados em 2003 a partir da Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente, com apoio de políticas públicas do Ministério da Educação e do Ministério do Meio Ambiente. O objetivo é fortalecer a juventude diante das demandas socioambientais de seus territórios, estimulando ações voltadas à melhoria do meio ambiente e da qualidade de vida.
Muká Mukaú: uma trajetória que começou em 2015
Sediado em Arraial d’Ajuda, o Coral Vivo fomenta desde 2015 as ações do Coletivo Jovem Muká Mukaú, que reúne cerca de 50 jovens ativos de Santa Cruz Cabrália, Porto Seguro e Prado. Ao longo dos anos, o grupo tem caminhado rumo a uma atuação mais independente, buscando se tornar uma associação capaz de escrever seus próprios projetos socioambientais e culturais para editais de financiamento.
Para apoiar essa transição, o Coral Vivo ofereceu ao coletivo, em 2025, uma Oficina de Elaboração de Projetos Socioambientais. O Muká Mukaú também apoia ações do Coral Vivo Vai às Ruas e participa de eventos de políticas públicas ao lado da equipe local, levando pautas como mobilização da juventude e combate ao racismo ambiental.

Aiyê Mar: autonomia conquistada em um ano
Em 2025, dois novos coletivos se formaram: o Aiyê Mar e o Maré Jovem. O Aiyê Mar, também no extremo sul baiano, reúne 20 jovens das cidades de Prado, Caravelas, Teixeira de Freitas, Alcobaça, Nova Viçosa e Mucuri. Sua formação começou com a divulgação de um formulário de inscrição aberto aos jovens da região e foi oficializada no primeiro encontro presencial do grupo.
Em um ano de atuação, o coletivo já elaborou um estatuto próprio, consolidou sua estrutura de funcionamento e conduziu, de forma autônoma, o processo seletivo para a entrada de novos membros. Os integrantes também se envolveram na organização de limpezas de praia na região, participaram de feiras de Educação Ambiental ao lado do Projeto Coral Vivo e fortaleceram a presença do coletivo nas redes sociais. Agora, o grupo já tem propostas escritas para participar de editais de financiamento.
“Acompanhar o Coletivo desde seu início até o desabrochar de sua autonomia, e ver esses jovens compreenderem que suas vozes podem ser ouvidas, é extremamente gratificante. A cada etapa, eles percebem o poder da união, da organização e do protagonismo da juventude na construção das transformações que desejam para seus territórios”, avalia Manoela, gerente da Regional Abrolhos.
Para Guilherme “Gg”, membro do Aiyê Mar, a experiência tem sido transformadora: “Estar cercado por outros jovens inspiradores tem ampliado minha visão de mundo e me ensinado muito sobre a força da nossa região. É sobre mais do que debater ideias, estou aprendendo a ser um ativista socioambiental e a lutar pelas mudanças que o nosso território precisa.”


Maré Jovem: um ano de trajetória no Rio de Janeiro
O Coletivo Maré Jovem, da cidade do Rio de Janeiro, reúne 12 jovens de municípios como Rio de Janeiro, Itaboraí, São João de Meriti e São Gonçalo. Em 28 de julho, o grupo completou um ano de formação, data celebrada em um encontro na Quinta da Boa Vista, em 1º de agosto, reunindo os integrantes para revisitar a trajetória construída e planejar os próximos passos.
Ao longo do primeiro ano, os integrantes participaram de diferentes ações do Projeto Coral Vivo, com destaque para a primeira edição do Rio Ocean Week, em 2025, e para as comemorações dos 208 anos do Museu Nacional, em 2026. O grupo também colabora de forma constante com as atividades de educação ambiental do Coral Vivo Vai às Ruas.
Atualmente em fase de consolidação e formalização, o Maré Jovem tem como foco a construção de seu regimento interno, documento que vai estabelecer os objetivos e princípios do grupo e orientar sua organização. Entre as perspectivas futuras está a abertura de novas vagas para ampliar o coletivo.
“Para mim, o Maré Jovem é um espaço de conexão, troca e pertencimento. Fazer parte do coletivo tem sido muito especial, tanto pelos aprendizados quanto pelas pessoas e experiências que encontro pelo caminho. Estar no Maré Jovem também me faz perceber o quanto nós, jovens, podemos contribuir para construir um futuro mais consciente e conectado com o oceano”, conta Isabelle Arêdes, integrante do grupo.

Ohana Kai: o litoral norte de São Paulo entra na rede
Já em 2026, as regionais de São Paulo, Pernambuco e Região dos Lagos também se mobilizaram para engajar a juventude local. O Coletivo Jovem Ohana Kai, do litoral norte paulista, abrange as cidades de Bertioga, São Sebastião e Caraguatatuba e conta com 6 jovens ativos, atraídos por um formulário de inscrição amplamente divulgado na região.
O maior evento do coletivo até o momento foi o encontro presencial realizado no Centro de Biologia Marinha da Universidade de São Paulo (CEBIMar), em São Sebastião, que marcou o pontapé inicial das atividades do grupo. No encontro, a partir de um estudo socioambiental do território, os jovens definiram a missão do coletivo: “Promover a atuação de jovens no território por meio de ações socioambientais, educativas e colaborativas, fortalecendo o pertencimento local e gerando impacto positivo na comunidade e no meio ambiente.”
“Participar do CJ tem sido incrível, tenho aprendido e conhecido muito do território onde vivo, além de pessoas queridas que conhecemos nesse caminho. Ansiosa pelos próximos passos dentro do CJ”, diz Juliana, membra do Ohana Kai.
Como a maioria dos integrantes é formada por estudantes de Ciências Biológicas, os próximos passos do grupo incluem aproximá-lo de projetos socioambientais já em curso na região, com atividades formativas que somem à formação acadêmica e profissional dos jovens.
“Trabalhar com o Coletivo Ohana Kai é revigorante, pois eles me desafiam a pensar fora da caixinha e a ser mais energética frente às injustiças observadas no território”, avalia Luiza Soares, assessora ambiental da regional São Paulo.

ReMar: dois estados, um só coletivo
O Coletivo Jovem ReMar reúne dez jovens universitários de Pernambuco e Alagoas. O grupo nasceu da mobilização de três voluntários das ações Coral Vivo Vai às Ruas nos dois estados, que convidaram diretamente outros jovens, dando início ao coletivo entre março e abril de 2026. Desde então, os núcleos de Pernambuco e Alagoas se encontraram presencialmente três vezes em cada região, além de manterem encontros virtuais mensais conjuntos. Em maio e julho, o Coral Vivo promoveu duas formações virtuais para o grupo, com os temas “Ecossistemas costeiros e marinhos” e “Juventudes”.
Em agosto de 2026, o ReMar viveu seu momento mais importante até aqui: o encontro presencial entre os núcleos de Alagoas e Pernambuco, em Maceió, reuniu oito dos dez integrantes em uma imersão de dois dias, com oficinas, dinâmicas, vivência no mangue e aula de campo na praia. O encontro teve como objetivos integrar os membros, construir a identidade do coletivo, mapear desafios e soluções, e elaborar o plano de ação para 2026. As vivências em áreas de manguezal e recifes também abriram espaço para discussões sobre valorização do conhecimento tradicional, impactos socioambientais, a problemática do lixo nos ambientes costeiros e a ocupação imobiliária.
“Um encontro muito rico […] desenvolvemos atividades para integrar o grupo e também para um planejamento do que será feito esse ano. Nesses dois dias de integração tivemos atividades no mangue, atividades de aula prática, tivemos a construção de como iremos contribuir com o ReMar. Tivemos um entrosamento muito bom, muitos planos, muitas estratégias boas foram desenvolvidas e seguimos assim, esperançosos com o crescimento do nosso grupo e avançando cada dia mais”, relata Monique Lima, membro do ReMar, de Recife.
“Mobilizar a formação deste Coletivo foi, inicialmente, um desafio, especialmente pela necessidade de integrar e manter acesa a chama de dois núcleos, em diferentes localidades. A cada novo passo, sobretudo após o encontro presencial, tem sido gratificante acompanhar os avanços: do reconhecimento do grupo enquanto coletivo à descoberta individual de quem são no CJ, de como podem contribuir e, principalmente, do desejo compartilhado de atuar ativamente na sociedade”, avalia Norah Gamarra, assessora ambiental da regional Pernambuco.

Região dos Lagos: mapeando desafios e oportunidades
O Coletivo Jovem da Região dos Lagos, no Rio de Janeiro, é formado por 13 jovens de Armação dos Búzios, Arraial do Cabo, Macaé e Rio das Ostras. Formado no segundo semestre de 2025 a partir de divulgação nas redes sociais do Coral Vivo e em grupos de WhatsApp da região, o grupo teve seu maior encontro em setembro de 2025, na Secretaria Municipal de Turismo de Armação dos Búzios — quando os participantes realizaram uma dinâmica de apresentação e um mapeamento do território, identificando desafios e oportunidades de atuação.
Em 2026, as atividades têm acontecido majoritariamente de forma online, com reuniões em que os jovens compartilham ideias, discutem questões socioambientais da região e planejam novas ações. Os integrantes também têm apoiado as ações do Coral Vivo Vai às Ruas.
“Participar do CJ é incrível! Graças a ele temos a chance de poder debater e organizar ações sobre problemas ambientais tão persistentes na nossa região, é uma oportunidade única de conseguir fazer a diferença”, afirma Gaspar, membro do coletivo.


Juventude e governança ambiental
Atualmente, todos os seis coletivos apoiados pelo Projeto Coral Vivo participam ativamente do monitoramento do Plano Nacional de Implementação da Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável. A mobilização acontece por meio de oficinas livres voltadas à construção coletiva de diagnósticos sobre avanços e desafios da Década do Oceano, dados que passam a compor as metas globais de conservação marinha a partir das realidades locais de cada território.
Do Muká Mukaú ao ReMar, os Coletivos Jovens do Coral Vivo mostram que o cuidado com o litoral brasileiro começa pela escuta e pelo protagonismo das novas gerações. Com grupos atuantes em todas as seis regionais do projeto, essa rede de juventude segue se fortalecendo, formando lideranças que já pensam e agem pelo futuro socioambiental de suas regiões.
O Projeto Coral Vivo integra o Instituto Coral Vivo, OSCIP referência nacional na conservação de ambientes costeiros e marinhos no Brasil, incluindo recifes de coral, restingas e manguezais. Criado em 2003 no Museu Nacional/UFRJ, o projeto nasce da experiência acumulada de seus pesquisadores, com mais de 40 anos de atuação na área. Patrocinado pela Petrobras desde 2006, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, desenvolve ações integradas de pesquisa científica, educação, políticas públicas, comunicação e mobilização social voltadas à proteção dos ecossistemas coralíneos. Conta ainda com o copatrocínio do Arraial d’Ajuda Eco Parque e parcerias com diversas universidades e instituições de pesquisa no país. O Projeto Coral Vivo integra a Rede Biomar e a REDAGUA, iniciativas colaborativas voltadas à conservação da biodiversidade marinha e à proteção de ecossistemas costeiros.