X Workshop de Pesquisa do Coral Vivo reúne 31 pesquisadores de 14 universidades na Bahia


02/10/2023


O X Workshop de Pesquisa da Rede de Pesquisas do Projeto Coral Vivo, patrocinado pela Petrobras, contou com 26 apresentações e participação de 55 pesquisadores de 14 diferentes instituições de pesquisa. O evento, realizado entre os dias 12 e 15 de setembro, no Arraial d’Ajuda Ecoresort, em Arraial D’Ajuda, na Bahia, debateu as recentes investigações e resultados obtidos pelo grupo nas diversas áreas relacionadas aos ambientes recifais.
 
Durante o Workshop foram apresentadas investigações sobre as consequências das mudanças climáticas sobre os ambientes coralíneos; reprodução dos corais; monitoramento da biodiversidade; toxicidade de protetores solares; efeitos da contaminação por ferro nos ambientes recifais e debates específicos sobre a continuidade dos estudos no Banco Royal Charlotte e operacionalização do mesocosmo no desenvolvimento de experimentos, entre outros.
 
Os efeitos do O El Niño foi um dos destaques dentre os temas abordados: “Já estamos saindo da fase neutra e migrando para a quente. Com o aquecimento da água, deve haver problemas de branqueamento severo nos próximos 24 meses ou antes”, alertou o professor Dr. Miguel Mies, Coordenador da Rede de Pesquisas do Coral Vivo.
 
“O alerta que recebemos sobre a chegada do El Niño e o potencial de interferência no ambiente marinho e na vida dos recifes de coral no Banco dos Abrolhos exigiu uma postura diligente para formar alianças que permitam conhecer e entender o tamanho do problema para termos dados que permitam propor medidas para mitigação dos impactos”, explicou Erismar Rocha, chefe do Núcleo de Gestão Integrada (NGI) ICMBio Abrolhos, que integrou o grupo de debates.
 
Outro ponto bastante discutido foi o Royal Charlotte. Localizado a cerca de 100 km ao norte dos Abrolhos, o banco ainda é pouco conhecido pela ciência e o Coral Vivo vem liderando os esforços para intensificar as pesquisas na região.
 
“A gente está planejando fazer um mapeamento maior, mas, de qualquer forma, nós já encontramos ambientes coralíneos, algas, rodolitos, que são extremamente importantes para a biodiversidade marinha. A gente acredita que isso é um ponto de partida muito importante para conhecer melhor o local e para ter ações de conservação e de manejo do uso da área daquela região”, ressaltou Paulo Sumida, diretor do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP) ao lembrar das expedições, lideradas pelo Coral Vivo, realizadas em 2020 e 2022.
 
Miguel Mies lembrou que o evento aconteceu em um momento especial: no período da desova de várias espécies de corais e que pode ser acompanhado de perto pelos pesquisadores nos viveiros instalados na base de pesquisa. Além disso, na ocasião também foi dado início ao calendário de comemoração dos 20 anos do Projeto Coral Vivo.
 
“Realmente temos muito a comemorar. Hoje temos uma rede composta por pesquisadores de universidades brasileiras e estrangeiras, quase 100 alunos de pós-graduação envolvidos nesses trabalhos. A nossa rede já produziu 73 artigos científicos, 2 livros e 48 teses, dissertações ou monografias. E atua em várias linhas de pesquisa: mudanças climáticas; consequências da contaminação, sobretudo em função do rompimento de barragens; biodiversidade e descrição de novos ambientes recifais, inclusive no Brasil, como, por exemplo, o Banco Royal Charlotte”.
 
 
 
SOBRE O PROJETO CORAL VIVO
 
O PROJETO CORAL VIVO nasceu no Museu Nacional/UFRJ, a partir de pesquisas em recifes e ambientes coralíneos brasileiros. Desde 2006, com o patrocínio da Petrobras, além de parcerias locais e nacionais, passou a atuar junto a vários setores da sociedade, como os órgãos governamentais; as universidades e escolas; os conselhos gestores; o segmento de turismo; os pescadores e os coletivos jovens. O projeto possui uma Rede de Pesquisas com 13 instituições envolvidas e uma Base de Pesquisas e Visitação em Porto Seguro (BA). Suas ações de educação incluem a formação continuada de professores, a edição e difusão de publicações e vídeos de divulgação científica. O projeto tem vários e importantes livros publicados, disponibilizados gratuitamente para download em seu site, alguns deles alvo de ações de adoção extraordinárias por parte de secretarias de educação, além de uma produção científica robusta e internacionalmente reconhecida e referendada.
 
Além disso, o Coral Vivo integra a Rede de Conservação da Biodiversidade Marinha (BIOMAR), junto com os projetos Albatroz, Baleia Jubarte, Golfinho Rotador e Meros do Brasil. Patrocinados pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, eles atuam de forma complementar na conservação da biodiversidade marinha do Brasil. As ações do Projeto Coral Vivo são viabilizadas também pelo copatrocínio do Arraial d’Ajuda Eco Parque.
 
O Coral Vivo faz parte também da Rede de Conservação das Águas da Guanabara e Entorno (REDAGUA), que reúne, igualmente, todos projetos apoiados pela Petrobras. A rede tem como objetivo promover a conservação da biodiversidade, prestação de serviços ecossistêmicos, restauração ambiental, pesquisa, educação ambiental, inclusão social e comunicação na região da Baía de Guanabara e entorno, sendo constituída pelos Projetos Coral Vivo, Guapiaçu, Meros do Brasil e Uçá.
 
Nas redes sociais, o Coral Vivo já tem mais de 380 mil seguidores e em seu canal do Youtube veicula uma produção audiovisual diferenciada em termos de sensibilização e conteúdo. Venha mergulhar nessas redes para saber mais e, quem sabe, ser colaborador e apoiador do Coral Vivo: coralvivo.org.br
 

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