
O Futuros — Arte e Tecnologia recebe, a partir de 6 de março, a exposição “Mudamos o Clima, Agora o Clima Muda Tudo”, uma experiência imersiva gratuita idealizada pelo Projeto Coral Vivo, referência nacional em conservação costeira e marinha. Após atrair mais de 35 mil visitantes em sua edição anterior durante a COP30, em Belém, a mostra chega ao Rio de Janeiro, pela primeira vez, convidando o público a um mergulho sensorial nos impactos das mudanças climáticas e nos desafios que atravessam continentes, oceanos, cidades e modos de vida. Depois do Rio, a exposição segue sua itinerância por Bahia e São Paulo.
Com mais de 150 m² de instalações sensoriais, a mostra reúne vídeos, esculturas, experiências em realidade virtual, painéis interativos e uma estufa viva com mudas nativas, criando um percurso imersivo que dialoga com crianças, jovens, adultos e idosos. A proposta é aproximar o público dos impactos da crise climática nos oceanos e nos ecossistemas terrestres, estimulando reflexão, empatia e ação coletiva.
Realizada pelo Projeto Coral Vivo em parceria com as redes Biomar e REDAGUA, a exposição propõe uma jornada que estimula o público a ver, ouvir, tocar e sentir os efeitos da crise climática, ao mesmo tempo em que apresenta caminhos possíveis para enfrentá-la com esperança. Com patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, a direção de arte, expografia e comunicação visual são assinadas pelo Estúdio Bijari. A curadoria foi desenvolvida em parceria entre o Instituto Coral Vivo e representantes do Departamento de Oceano e Gestão Costeira (DOCEANO/MMA), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE/MCTI), do Instituto Oceanográfico (IO/USP), da Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI/UERJ), do Núcleo de Ecologia Aquática e Pesca da Amazônia (NEAP/UFPA) e do Instituto Meros do Brasil.
“Esta exposição combina ciência e arte como forma de transmitir a todos o que é a emergência climática e suas consequências, buscando despertar uma reflexão sobre a responsabilidade de cada um como parte da solução”, afirma Gregório Araújo, gerente de Projetos Ambientais da Petrobras.
Dados relevantes, experiência para todas as idades
Logo na chegada, uma instalação de vídeos em três TVs apresenta eventos extremos agravados pelas mudanças climáticas, preparando emocionalmente o visitante para o percurso. O início da exposição apresenta os fundamentos científicos das mudanças climáticas, combinando vídeos, gráficos e projeções que explicam conceitos como efeito estufa, aquecimento global e eventos climáticos extremos. A narrativa estabelece a Terra como protagonista silenciosa — e, ao mesmo tempo, vítima das pressões humanas.
Na sequência, o público explora as causas e consequências da emergência climática por meio de instalações que abordam emissões de gases de efeito estufa, desmatamento, consumo insustentável e justiça climática. Imagens de queimadas, secas e inundações reforçam a urgência da ação, enquanto boias suspensas e painéis com grafismos evidenciam as desigualdades entre os países que mais emitem e aqueles mais vulneráveis aos impactos do clima e remetem à emergência, socorro, salvação, algo para nos apoiarmos em uma situação de risco.
A etapa final da exposição aponta caminhos possíveis para o enfrentamento da crise climática, destacando soluções como restauração ecológica, transição energética e participação cidadã. Um mapa-múndi coberto por musgo vivo simboliza a resiliência do planeta, enquanto uma estufa com 500 mudas nativas convida o público à ação concreta. A visita se encerra em um espaço de reflexão, reforçando a noção de pertencimento e transformação coletiva.
“O Futuros — Arte e Tecnologia tem como propósito mobilizar, por meio da arte, reflexões críticas sobre os desafios contemporâneos. A exposição do Projeto Coral Vivo une arte e consciência socioambiental ao refletir sobre os efeitos das ações humanas na crise climática e possíveis caminhos de transformação. Ao unir arte e ciência, reforçamos nosso compromisso com a promoção de futuros sustentáveis, equitativos e socialmente responsáveis”, destaca o gerente de cultura do Instituto Futuros, Victor D’Almeida.
Recentemente, o mais completo estudo já realizado sobre o branqueamento de corais no Brasil foi publicado na revista científica Coral Reefs e coordenado pelo Projeto Coral Vivo, em parceria com o Instituto Coral Vivo, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o ICMBio e 20 instituições nacionais e internacionais. A pesquisa monitorou a saúde dos recifes em 18 pontos, ao longo de nove estados e mais de quatro mil quilômetros do litoral brasileiro, e revelou impactos extremos em 2024: em Maragogi (AL), até 96% dos corais apresentaram branqueamento e 88% morreram, enquanto nas regiões de Salvador para o sul as ondas de calor foram menos intensas. No total, 36% dos corais avaliados apresentaram algum grau de branqueamento. Espécies tridimensionais, como o coral-de-fogo (Millepora alcicornis) e o coral-vela (Mussismilia harttii), foram as mais afetadas, comprometendo a complexidade dos recifes e, consequentemente, a pesca e a renda de comunidades costeiras.
“O Rio de Janeiro é a segunda maior cidade do país e vem sentindo cada vez mais forte os efeitos das mudanças climáticas, como ondas de calor e grandes volumes de chuva em um curto período de tempo, resultando em máximas históricas de temperatura e inundações. Nossa cidade é banhada pela Baía de Guanabara e por praias que levam alimento e sustento para muitas famílias. Entender que os ecossistemas estão todos conectados e que somos parte dessa equação, é uma porta de entrada para estimular a conservação ambiental, por isso trazemos a educação e a cultura como nossos aliados nessa luta. A exposição ‘Mudamos o Clima, Agora o Clima Muda Tudo’ nos convida a uma reflexão impactante, mas com acolhimento e esperança”, explica Iamê de Sá, gerente do Projeto Coral Vivo no Rio de Janeiro.
Serviço
Exposição “Mudamos o Clima, Agora o Clima Muda Tudo” | Local: Futuros — Arte e Tecnologia – Galeria 2 | Endereço: Rua Dois de Dezembro, 63 — Flamengo, Rio de Janeiro — RJ, 22220-040 | Data: De 6 de março a 26 de abril de 2026 | Horários: Quarta a domingo, das 11h às 20h | Entrada: Gratuita | Classificação: Livre | Duração da visita: Aproximadamente 45 minutos | Hashtag oficial: #OClimaMudaTudo | Instagram: @projetocoralvivo | Para agendar monitoria, enviar email para programaeducativo.oifuturo@gmail.com.
Acesso: Não há estacionamento para carros ou bicicletas no local. A melhor opção é transporte público. Metrô: Estações Largo do Machado (280 m) e Catete (500 m). Ônibus: várias linhas são adequadas para acesso ao local. Em especial, buscar aquelas que passam pelo Largo do Machado ou pela Praia do Flamengo.
Sobre o Projeto Coral Vivo
O Projeto Coral Vivo faz parte do Instituto Coral Vivo, OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) referência nacional em conservação de ambientes costeiros e marinhos no Brasil, incluindo ambientes coralíneos, restingas e manguezais. Criado em 2003 no Museu Nacional/UFRJ, o Projeto Coral Vivo nasceu da experiência acumulada de seus pesquisadores, com mais de 40 anos de atuação na área. Patrocinado pela Petrobras desde 2006, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, o Projeto Coral Vivo une pesquisa científica, educação, políticas públicas, comunicação e mobilização social para proteger os ecossistemas coralíneos. Conta também com o copatrocínio do Arraial d’Ajuda Eco Parque e parcerias com 15 universidades e instituições de pesquisa. O projeto integra a Rede Biomar (formada pelos projetos Albatroz, Baleia Jubarte, Coral Vivo, Golfinho Rotador e Meros do Brasil), voltada à conservação da biodiversidade marinha brasileira, e a REDAGUA (composta pelos projetos Aruanã, Cavalos-Marinhos, Coral Vivo, Guapiaçu, Meros do Brasil e UÇÁ), que atua na proteção da Baía de Guanabara e seu entorno.
Sobre o Estúdio Bijari
Núcleo de criação em artes visuais e multimídia, o Bijari existe desde 1997 e possui um trabalho de pesquisa calcado na convergência entre arte, design e tecnologia, e tem como objeto de interesse as narrativas, poéticas e conflitos que moldam e dão vida à paisagem urbana.
Sobre o Futuros – Arte e Tecnologia
Inaugurado há 20 anos, o centro cultural Futuros – Arte e Tecnologia é um espaço de exibição, criação e inovação artística. Com uma programação gratuita voltada a todos os públicos, o espaço promove e recebe exposições, apresentações artísticas, espetáculos teatrais, entre outros eventos que convidam o público a refletir sobre temas que norteiam sua linha curatorial, como meio ambiente, ancestralidade, diversidade, educação e tecnologia. O Futuros abriga galerias de arte, um teatro multiuso e o Musehum — Museu das Comunicações e Humanidades, que mantém um acervo de mais de 130 mil peças históricas sobre as comunicações no Brasil e atividades interativas sobre o impacto das tecnologias nas relações humanas. O centro cultural tem gestão do Instituto Futuros. Desde agosto de 2025, o Futuros — Arte e Tecnologia recebe o projeto Upload, realizado pela Zucca Produções, e corealizado pelo Futuros – Arte e Tecnologia e pelo Coletivo 2050, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro — Lei do ISS, com patrocínio da Serede, Oi, Eletromidia, Rastro, Tahto e Prefeitura do Rio de Janeiro/SMC.