Coral Vivo leva ciência brasileira aos debates internacionais sobre recifes de coral no ICRS 2026, em Auckland


25/08/2026


A delegação do Projeto Coral Vivo reuniu 18 profissionais e estudantes de graduação e pós-graduação no ICRS 2026 em apresentações sobre diversos temas relevantes para a ciência do Atlântico Sul.

 

O Projeto Coral Vivo, patrocinado pela Petrobras através do Programa Petrobras Socioambiental, participou do 16º International Coral Reef Symposium (ICRS 2026), realizado em Auckland, na Nova Zelândia, reunindo pesquisadores, estudantes, organizações e especialistas de diferentes partes do mundo para discutir os desafios e caminhos para a conservação dos recifes de coral.

 

Considerado um dos principais encontros científicos internacionais dedicados aos ecossistemas recifais, o ICRS promove o intercâmbio de conhecimentos e experiências entre diferentes regiões e áreas da ciência. A edição de 2026 foi organizada em torno de oito grandes temas, que refletem a diversidade e a complexidade das questões relacionadas aos recifes: conhecimento tradicional e manejo; perspectivas históricas sobre os ecossistemas coralíneos; biologia celular e molecular; ecologia e conectividade; monitoramento e avaliação em escala; modelagem de trajetórias futuras para os recifes; relações socioecológicas; e inovações em conservação e intervenção.

 

“O ICRS 2026 é como a Copa do Mundo dos recifes de corais: acontece apenas uma vez a cada quatro anos e reúne os principais pesquisadores e instituições do mundo dedicados à conservação dos recifes. Nesta edição, tivemos uma participação recorde da delegação brasileira, com 18 pessoas vinculadas ao Coral Vivo. Nunca uma única instituição brasileira havia levado tantos participantes ao evento. Isso demonstra a importância e a relevância do Coral Vivo nesse que é o principal fórum mundial de pesquisa e conservação de recifes de corais. E a maioria desses participantes esteve envolvida em apresentações orais, compartilhando seus resultados e mostrando a excelência e o nível de ponta da pesquisa que vem sendo desenvolvida pelo Coral Vivo.”, afirma Miguel Mies, professor da USP e Gerente de Pesquisas do Projeto Coral Vivo.

 

Pesquisador Miguel Mies discursando no pódio pelo Projeto Coral Vivo no ICRS 2026.
Miguel Mies, Gerente de Pesquisas do Projeto Coral Vivo, durante apresentação oral no ICRS 2026.

 

Foi nesse ambiente multidisciplinar que o Coral Vivo esteve representado por uma delegação robusta com pesquisadores, coordenadores, estudantes de graduação e pós-graduação, que apresentaram trabalhos em diferentes formatos, entre apresentações orais e pôsteres. A participação mostrou a diversidade da produção científica vinculada ao projeto e à sua Rede de Pesquisas, além de evidenciar o investimento na formação de jovens pesquisadores, em especial de mulheres.

 

Fotografia da delegação do Projeto Coral Vivo reunida no evento ICRS 2026 segurando a bandeira do Brasil.
Delegação brasileira presente no 16º International Coral Reef Symposium (ICRS 2026).

 

Entre os trabalhos apresentados estiveram pesquisas relacionadas a diretrizes e estratégias de restauração de recifes, monitoramento do branqueamento de corais, relações entre corais e suas microalgas simbiontes, cultura oceânica através do Programa Literatura Atlântica, entre outros. Os temas dialogaram diretamente com diferentes eixos do simpósio, conectando questões ecológicas, biológicas, climáticas e socioambientais. Além de apresentarem os resultados de suas pesquisas, eles tiveram a oportunidade de acompanhar debates científicos de alcance internacional, conhecer diferentes metodologias, trocar experiências com pesquisadores de outros países e estabelecer novas conexões acadêmicas.

 

Um dos aspectos que mais se destacou no ICRS 2026 foi justamente a possibilidade de olhar para os recifes a partir de diferentes escalas. Enquanto algumas sessões discutiram processos celulares, moleculares e a simbiose entre organismos, outras abordaram a ecologia e a conectividade dos recifes, sua distribuição e diversidade. Em paralelo, temas como monitoramento, impactos climáticos, poluição, recuperação e mudanças nos ecossistemas ampliaram a discussão para a escala dos ambientes recifais.

 

A presença de estudantes foi especialmente significativa. Para o Coral Vivo, esse intercâmbio também fortalece a formação de uma nova geração de pesquisadores capazes de atuar em uma realidade em que os desafios da conservação dos recifes são cada vez mais complexos e exigem integração entre diferentes áreas do conhecimento.

 

“Tive o privilégio de ser uma das representantes do Projeto Coral Vivo neste evento, que reuniu pesquisadores de mais de 90 países. Foi uma semana incrivelmente intensa, na qual tivemos a oportunidade de acompanhar inúmeras apresentações, mergulhar nas pesquisas mais recentes e assistir a palestras de grandes ícones da ciência recifal — aqueles nomes emblemáticos que sempre usamos como referência em nossos trabalhos e que, durante essa semana, ganharam um rosto na nossa memória. Além do reencontro com grandes referências, o ICRS foi um ponto de conexão com profissionais de diversos cantos do mundo e em diferentes etapas de suas carreiras. Uma oportunidade única para trocar experiências, conhecer dados inéditos e entender para onde a ciência recifal global está caminhando. Volto dessa imersão com a bagagem cheia de novas ideias, conexões valiosas e a certeza de que o trabalho que desenvolvemos localmente dialoga diretamente com os grandes desafios e soluções globais para o futuro do oceano. Seguimos motivados para continuar nosso trabalho mesmo com todos os desafios que os recifes de corais enfrentam atualmente.”, compartilha Giulia Braz, doutoranda do Instituto Oceanográfico da USP.

 

Doutoranda Giulia Braz representando o Projeto Coral Vivo em palestra no ICRS 2026.
A doutoranda Giulia Braz em palestra oral durante o simpósio internacional.

 

A participação no ICRS também se conecta aos objetivos da Década das Nações Unidas da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável (2021–2030). Ao reunir pesquisadores de diferentes países e áreas do conhecimento em torno de desafios comuns, o simpósio fortalece a colaboração científica necessária para compreender as mudanças que estão ocorrendo nos oceanos e construir respostas para esses desafios.

 

Para o Coral Vivo, essa conexão reforça a importância de uma ciência que ultrapasse os limites da academia e possa contribuir para conservação, políticas públicas, educação, inovação e participação social.

 

A participação no ICRS 2026 representa, portanto, mais do que a apresentação de resultados científicos. É uma oportunidade de inserir a pesquisa desenvolvida no Brasil em uma rede internacional de conhecimento e, ao mesmo tempo, trazer para o debate global as especificidades e os desafios dos recifes brasileiros.

 

“Participar do ICRS foi uma oportunidade de mostrar a força e a diversidade da pesquisa desenvolvida pelo Coral Vivo e, principalmente, de levar nossos estudantes para um espaço internacional de troca e construção de conhecimento. Para nós, formar pesquisadores também significa prepará-los para dialogar, colaborar e contribuir com os grandes desafios da conservação do oceano”, afirma Flávia Guebert, Diretora do Projeto Coral Vivo.

 

Flávia Guebert, diretora do Projeto Coral Vivo, apresentando o Programa Literatura Atlântica no ICRS 2026.
Flávia Guebert, Diretora do Projeto Coral Vivo, apresentando o Programa Literatura Atlântica.

 

A participação do Coral Vivo no ICRS 2026 reafirma, assim, uma das características centrais de sua atuação: produzir conhecimento sobre os recifes, conectar diferentes saberes e transformar ciência em caminhos para a conservação.

 

Integrantes e parceiros do Projeto Coral Vivo reunidos em frente ao painel do ICRS 2026.
Pesquisadores e parceiros reunidos durante o ICRS 2026 em Auckland.

 

Sobre o Projeto Coral Vivo

 

O Projeto Coral Vivo integra o Instituto Coral Vivo, OSCIP referência nacional na conservação de ambientes costeiros e marinhos no Brasil, incluindo recifes de coral, restingas e manguezais. Criado em 2003 no Museu Nacional/UFRJ, o projeto nasce da experiência acumulada de seus pesquisadores, com mais de 40 anos de atuação na área. Patrocinado pela Petrobras desde 2006, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, desenvolve ações integradas de pesquisa científica, educação, políticas públicas, comunicação e mobilização social voltadas à proteção dos ecossistemas coralíneos. Conta ainda com o copatrocínio do Arraial d’Ajuda Eco Parque e parcerias com diversas universidades e instituições de pesquisa no país. O Projeto Coral Vivo integra a Rede Biomar e a REDAGUA, iniciativas colaborativas voltadas à conservação da biodiversidade marinha e à proteção de ecossistemas costeiros.

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