Recifes e ambientes coralíneos

Recife de coral

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Recifes de coral

Um recife de coral, sob o ponto de vista da formação do relevo terrestre, é uma estrutura rochosa, rígida, resistente à ação mecânica das ondas e correntes marítimas, formada por corais e outros organismos marinhos (animais e vegetais) portadores de esqueleto calcário.

Sob o ponto de vista biológico, recifes coralíneos são formações criadas pela ação de corais, que incluem os corais-pétreos ou verdadeiros e os corais-de-fogo. Juntam-se a eles algas calcárias e outros organismos que também contam com esqueleto (carbonato de cálcio). Os recifes de coral são os únicos entre as comunidades marinhas que são construídos inteiramente pela atividade biológica, ou seja, pelo agrupamento de inúmeros esqueletos que juntos formam essa grande estrutura.

Se imaginarmos o recife como uma construção, os corais atuariam como os tijolos, cimentados pelas algas calcárias. No entanto, apesar dos recifes de coral serem formados pelo acúmulo dos esqueletos desses organismos, para sua formação é necessária a atuação conjunta de uma infinidade de outros seres, que se relacionam intensamente entre si.

Ambientes coralíneos ou comunidades coralíneas

Se por um lado, os corais são um dos principais organismos construtores dos recifes de coral, em muitos locais esses animais não conseguem formar essas estruturas. Os recifes de coral podem não se formar em algumas regiões devido a condições ambientais inadequadas. Diversos fatores podem limitar sua formação, como temperatura (geralmente vivem em águas entre 26 e 28 ºC, podendo estar presentes em águas de 18 a 36 ºC), sedimentação (excesso de sedimentos é prejudicial), profundidade (necessitam de luz), entre outros.

Em algumas áreas não são encontrados recifes verdadeiros (cuja estrutura é biológica). Em seu lugar são encontradas concentrações de organismos recifais. Como podem se fixar em pedras ou rochas, eles começam a se desenvolver sobre essas superfícies, criando ambientes similares aos recifes – entretanto sem que a estrutra seja formada exclusivamente por seus esqueletos. Exemplos no Brasil são encontrados em Búzios e Cabo Frio, no estado do Rio de Janeiro, e em Fernando de Noronha, ilha oceânica do estado de Pernambuco.

Onde estão localizados

Os recifes de coral distribuem-se formando um anel na região equatorial/tropical do globo terrestre. Eles também ocorrem principalmente do lado ocidental dos oceanos Atlântico e Pacífico e, em geral, em águas rasas e quentes. Há diversos fatores ambientais que influenciam a distribuição dos recifes de coral pelo mundo, como temperatura da água, salinidade, sedimentação, luminosidade, nutrientes e hidrodinamismo.

No Brasil, os corais e comunidades coralíneas se distribuem por aproximadamente 2.400 km de costa, do norte do Maranhão ao cabo Frio, RJ, com espécies de corais recifais podendo chegar a Santa Catarina. Essa distância corresponde à extensão da Grande Barreira de Corais, na Austrália, considerada a maior formação recifal de mundo, com dimensões astronômicas (é possível observá-la até do espaço). No entanto, enquanto os recifes do Brasil se distribuem de forma descontínua, na Austrália, os recifes ocupam uma área contínua, de 350.00 km².

O desenvolvimento de recifes de coral na costa brasileira é restrito aos litorais nordeste e leste. Sua distribuição é limitada ao norte pelo rio Amazonas e ao sul pelas baixas temperaturas da água, com diversas interrupções na ocorrência de corais próximo à desembocaduras de rios, como o São Francisco e o Doce, onde as altas taxas de sedimentação e a baixa salinidade inibem o crescimento destes animais.

Recifes do Brasil

No Brasil estão localizadas as únicas formações coralíneas relevantes do Atlântico Sul. Comparando com outras regiões do mundo, como o Indo-Pacífico e o Caribe, o Brasil possui uma variedade pequena de corais recifais de águas rasas. Na costa brasileira há registros de ocorrência de 16 espécies de corais-pétreos ou verdadeiros e corais-de-fogo (escleractínios recifais, ou seja, formadores de recifes), distribuídas em 10 gêneros e oito famílias. Considerando todos os corais (corais-pétreos, corais-de-fogo, corais negros e octocorais [gorgônias e seus parentes], praticamente metade das espécies registradas no Brasil só ocorrem em nossas águas: de 46 espécies, 21 (46%) são exclusivas do Brasil.

Apesar do pequeno número de espécies, nossos corais-pétreos têm grande importância biológica. Cinco espécies são endêmicas do Brasil, ou seja, só ocorrem em nossas águas, enquanto uma tem distribuição ainda mais restrita, sendo encontrada somente na Bahia. Em outras partes do mundo formas similares a alguns dos nossos corais são encontradas apenas em fósseis, levando muitos pesquisadores a considerarem estas espécies como relíquias do passado que sobreviveram até os dias de hoje.

No litoral sul do estado da Bahia estão localizados os maiores e mais ricos recifes de coral de toda a costa brasileira, favorecidos pelas ótimas condições de temperatura, salinidade e profundidade de suas águas. Além disto, ocorre ali uma formação coralínea única no mundo, o chapeirão. Chapeirões são colunas recifais isoladas que crescem com formato de cogumelo – a base é estreita e o topo se expande para os lados. Apresentam diferentes alturas e variadas dimensões laterais e podem ser observados em diversos estágios de desenvolvimento. Os gigantes e bem desenvolvidos chapeirões do Bando dos Abrolhos podem alcançar até 20 metros de altura e em torno de 50 metros de diâmetro no topo.