Voltar

Notícias

Respeite o espaço dos tubarões: mergulhe sem incomodá-los

22 de dezembro de 2015

Boa parte das pessoas que vai mergulhar para apreciar as belezas da vida marinha acaba cometendo imprudências por não saber como se comportar. Percebemos que pode ser por falta de orientações adequadas. Ontem (21), no final da tarde, um mergulhador teve um incidente com tubarão na Baía do Sueste, em Noronha. Ainda não se sabe o que aconteceu exatamente no momento, nem a espécie de tubarão (as quais têm características muito diferentes), e as informações disponíveis estão ainda desencontradas. Pela nota divulgada com o boletim médico, o braço direito foi amputado, porém, ele está com quadro estável e foi transferido para o Hospital da Restauração, referência em Pernambuco.

Em pesquisas na internet, o coordenador geral do Projeto Coral Vivo, Clovis Castro, encontrou um vídeo de 2013 com um banhista nas águas rasas da Baía do Sueste – local do incidente atual. Ele fica perseguindo o tubarão lambaru (espécie em geral muito mansa), até que ele acaba reagindo. Por sorte, esse estava usando o equipamento conhecido como “pau de selfie”. Assista:

Como é comum a falta de orientações sobre como se comportar, decidimos transmitir informações ao público sobre a importância de respeitar o espaço dos tubarões. Convidamos o especialista em peixes da Rede de Pesquisas Coral Vivo e professor da UFRJ, Marcelo Vianna, para escrever sobre o assunto:

“O mergulho por ser uma atividade que nos coloca em contato direto com a natureza tem suas regras e seus riscos. A experiência de ver inúmeros animais no seu ambiente natural é incomparável para todos os amantes da vida selvagem. É exatamente esse o problema. A euforia de poder nadar ao lado de grandes garoupas, meros, barracudas, raias, cações e tantos outros peixes enormes é totalmente compreensível. A beleza dos corais, esponjas, pequenos peixes recifais é indescritível. Essa mistura de emoções muitas vezes nos leva a cometer imprudências, tais como tocar nos corais, que podem queimar ou quebrar, ou tentar segurar peixes maiores, como moreias, raias e cações. Esse comportamento, em muitos casos termina em acidentes. Uma das espécies que mais sofrem com essa conduta é o cação-lixa ou lambaru. Esse tipo de tubarão, que pode chegar a cerca de três metros, se diferencia dos demais por poder ficar parado junto ao fundo. Por ter o hábito noturno é normalmente observado durante os mergulhos diurnos rasos, junto a rochas ou recifes, imóvel. A primeira impressão é de tranquilidade, já que a morfologia da espécie é distinta da dos demais tubarões mais agressivos, como o tigre e o cabeça-chata, mas é de fato um tubarão. O comportamento de qualquer animal ao se sentir ameaçado é se defender. Mesmo que essa ameaça não seja real e sim uma simples tentativa de contato. Há poucos anos tivemos a morte de um apresentador de um programa de televisão australiano que tentava ser filmado nadando segurando uma raia. Uma das regras principais do mergulho é não tentar tocar em nenhum dos animais. O contato com os mergulhadores é sempre negativo para os animais. A tentativa e o contato levam a danos físicos, estresse ou até mesmo torna esses bichos mais passiveis à pesca por perderem o medo do ser humano”.

Redação Projeto Coral Vivo