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Pesquisa do Coral Vivo identifica como prever branqueamento de corais do Brasil

Publicado artigo científico sobre a produção e o combate de radicais livres em espécies antes, durante e após o fenômeno climático El Niño no Sul da Bahia

Seria possível prever o branqueamento de corais que ocorrem no Brasil antes que seja visualmente perceptível? Quais as espécies mais vulneráveis e resistentes ao estresse térmico? Essas e outras respostas inéditas para a ciência acabam de ser publicadas, em julho de 2019, no periódico Ecological Indicators, do grupo Elsevier. Nesse estudo são avaliados biomarcadores relacionados à condição de ”estresse oxidativo”, que resulta da produção excessiva de radicais livres. Trata-se do primeiro trabalho a identificar respostas fisiológicas em nível bioquímico em corais e hidrocorais do Brasil, que têm o potencial de serem utilizadas em ações de monitoramento ambiental futuro.

Os especialistas da Rede de Pesquisas Coral Vivo monitoraram a saúde de corais e hidrocorais, do verão ao inverno no Parque Natural Municipal do Recife de Fora, em Porto Seguro (BA). Cabe destacar que nesse período ocorreu o terceiro evento de branqueamento em escala global, desencadeado pelo El Niño. Assim, puderam acompanhar os organismos antes, durante e após esse fenômeno climático, e selecionaram para análises bioquímicas duas espécies-chave na construção dos recifes, o coral-vela (Mussismilia harttii) e o coral-de-fogo (Millepora alcicornis).

“Considerando que a grande maioria dos planos de monitoramento em recifes de coral utiliza o senso visual para avaliar a saúde de corais, observando se os mesmos se encontram branqueados ou não, a utilização dessas respostas bioquímicas como ferramentas acessórias, para prever a ocorrência do branqueamento em corais e identificar quais espécies são mais eficazes no combate a produção excessiva de radicais livres, pode ser um grande avanço para a qualidade dos planos de monitoramento”, avalia a primeira autora do estudo, a bióloga Laura Marangoni, pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande (Furg) e membro da Rede de Pesquisas do Projeto Coral Vivo, que é patrocinado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental. Laura informa que o coral-de-fogo foi identificado como um importante organismo sentinela (bioindicador): “Essa espécie é mais sensível ao estresse térmico e por isso responde mais rapidamente. Sendo assim, a aplicação de biomarcadores nessa espécie para o monitoramento de corais construtores de recife no Brasil é uma abordagem promissora para o acompanhamento dos eventos de branqueamento”.

Destaques do monitoramento do recente El Niño

Mortalidade do coral-de-fogo (Millepora alcicornis) acima de 90%, em alguns recifes da Costa do Descobrimento. Espécies consideradas tolerantes ao estresse térmico apresentando uma elevada porcentagem de branqueamento. Algumas espécies se recuperando. Esse é o cenário geral dos efeitos do fenômeno climático El Niño em julho de 2019. O Coral Vivo está monitorando e analisando uma série de variáveis ambientais e biológicas, gerando assim um banco de dados bastante robusto sobre o impacto do fenômeno.

O auge do aquecimento do El Niño de 2015-2016 foi em março. Já no recente El Niño foi em maio de 2019, por isso o impacto está maior, com alta taxa de mortalidade de colônias de coral. O coordenador regional de Pesquisas do Coral Vivo, Carlos Henrique Lacerda, destaca que a temperatura chegou a 31,4ºC nos recifes mais rasos em 2019, com a média entre janeiro e maio ficando 2,6ºC mais elevada do que no mesmo período de 2018.

Sobre o Projeto Coral Vivo

O Projeto Coral Vivo realiza atividades associadas à pesquisa, educação, políticas públicas, comunicação e sensibilização para a conservação e a sustentabilidade socioambiental dos ambientes coralíneos do Brasil. Essas atividades envolvem pesquisadores de 14 universidades e institutos de pesquisa do Brasil. O Coral Vivo é o coordenador executivo do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Ambientes Coralíneos (PAN Corais), que engloba 18 áreas desde o Maranhão até Santa Catarina, envolvendo 52 espécies de peixes e invertebrados ameaçadas de extinção. O Projeto tem sua base e seu centro de visitantes localizados no Arraial d'Ajuda Eco Parque, em Porto Seguro (BA). O Coral Vivo integra a Rede Biomar, junto com os projetos Albatroz, Baleia Jubarte, Golfinho Rotador e Tamar, patrocinados pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental. O Coral Vivo tem o co-patrocínio do Arraial d’Ajuda Eco Parque. Para mais informações, acesse: coralvivo.org.br.



Redação Projeto Coral Vivo.