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Estudo do Coral Vivo descobre fatores que tornam os recifes do Brasil os mais resistentes da Terra

Diante do aquecimento global, os recifes brasileiros são os mais resistentes ao calor e, por conta disso, menos suscetíveis ao branqueamento. Foi o que identificou estudo científico da Rede de Pesquisas Coral Vivo, após uma investigação em três macrorregiões com recifes de coral: o Indo-Pacífico, o Caribe e o Atlântico Sul, que é composto essencialmente por recifes brasileiros. Os resultados acabam de ser publicados na “Frontiers in Marine Science”. Foram descobertas cinco características que fazem com que os corais brasileiros sejam mais resistentes: formato do esqueleto, tolerância a águas turvas, capacidade de sobreviver em maiores profundidades, tolerância a nutrientes, e relações simbióticas flexíveis. A consequência dessas características é uma considerável menor mortalidade em eventos de branqueamento.

"Com o avanço irrefreado das mudanças climáticas e o aumento da temperatura global, a previsão é que a Grande Barreira de Corais da Austrália, no Pacífico, seja a primeira a desaparecer completamente, seguida dos ambientes coralíneos do Caribe. Os que ocorrem no Brasil serão possivelmente o último refúgio desse tipo de ambiente na Terra. Evidências disso são os fatos de que 50% da Grande Barreira já está morta e os inúmeros casos de extinção local de espécies de corais no Caribe. No Brasil, ainda não temos nada dessa magnitude acontecendo. Cabe destacar que embora a mortalidade dos corais brasileiros é menor em relação a outras regiões, ainda é essencial conservá-los pois não estão imunes às mudanças climáticas”, avalia o oceanógrafo Miguel Mies, coordenador de Pesquisas do Projeto Coral Vivo, que é patrocinado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental. Ele ressalta que no Atlântico Sul os recifes de coral ocorrem na costa brasileira e em ilhas oceânicas.

Conheça os seis fatores que deixam nossos corais mais tolerantes ao aquecimento:

1 - Formato dos corais - Foram avaliados os formatos de corais nessas três regiões do mundo. Os cientistas do Projeto Coral Vivo avaliam que os formatos hemisférico e maciço dos corais brasileiros os deixam mais resistentes às mudanças climáticas. A maioria dos corais que ocorrem no Brasil são assim, e nas demais regiões eles são minoria.

2 - Temperatura e turbidez - Quando a água do mar esquenta, e o recife de coral está em área com a água mais turva, um pouco dessas partículas absorve esse calor, deixando a temperatura mais amena. Na costa brasileira, quase todos os recifes de corais estão em condições de alta turbidez, diferentemente do Caribe e Indo-Pacífico.

3 - Profundidade - O aquecimento global esquenta as camadas mais superiores do mar. Se as espécies conseguem ocupar faixas mais profundas, elas ficam um pouco mais livres da radiação solar. Comparando os corais brasileiros com os de outras macrorregiões, os daqui habitam faixas batimétricas mais amplas. Isso significa que, se os corais que estiverem mais perto da superfície morrerem, ainda restarão os que vivem em áreas mais profundas.

4 - Nutrientes - Os recifes do Atlântico Sul têm muito mais nutrientes do que nas outras regiões. Isso significa que as espécies que ocorrem aqui já se adaptaram a essas condições. Os que não estão adaptados, morrem quando se tem águas mais aquecidas somadas a elevação no teor de nutrientes. Como os daqui já estão adaptados a essas condições ambientais, não são gerados problemas quando isso acontece.

5 - Relações simbióticas- Os corais têm a relação de simbiose com as algas zooxantelas. Quando um coral aceita poucos ou somente um tipo de zooxantela, ele é chamado de especialista. Os que aceitam vários tipos são chamados de generalistas, e essa característica os deixa mais fortalecidos. As espécies de corais que ocorrem no Brasil são muito mais generalistas do que no Caribe e Indo-Pacífico.

6 - Frequência de mortalidade - Ao investigar as cinco características anteriores, os pesquisadores descobriram uma consequência. Quando as águas no Brasil estão mais aquecidas, ocorre menos morte associada ao branqueamento do que em outras regiões do mundo. Isso comprova que temos os recifes de coral mais tolerantes ao aquecimento global.

O que é branqueamento de corais?

O branqueamento acontece quando as microalgas simbiontes – chamadas de zooxantelas – são expulsas por conta de estresses como aquecimento, acidificação da água ou poluição. Assim, o esqueleto calcário fica visível atrás do tecido quase transparente. Quanto mais intenso e duradouro for o evento estressante, maior é a chance da colônia de coral adoecer e morrer.

Redação Projeto Coral Vivo.