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Coral Vivo lança livro sobre trabalho francês que descreve recifes do Brasil nos anos 60, com dados atualizados e comentados

Além disso, obra rara de 1868 é doada ao Museu Nacional na cerimônia no Consulado da França, no Rio

A literatura científica acaba de ganhar uma tradução em português de trabalho histórico de naturalista francês que pesquisou os ambientes coralíneos do Brasil na década de 1960, incluindo atualização de informações por 29 especialistas. “Recifes Brasileiros: o Legado de Laborel”, patrocinado pela Petrobras, foi lançado em coquetel na Bibliomaison do Consulado-Geral da França no Rio de Janeiro, na noite de 16 de agosto, com o apoio do Consulado e do Institut Français do Brasil. Esteve presente a bióloga marinha Françoise Laborel-Deguen, viúva de Jacques Laborel e companheira de seus estudos de campo e de laboratório. Ela é a primeira autora dessa nova edição ampliada, junto aos professores do Museu Nacional, Clovis Castro e Débora Pires, e de Flávia Le Dantec Nunes, do Instituto Francês de Pesquisa para a Exploração do Mar (Ifremer, na sigla em francês). Na ocasião, Françoise entregou para a reitora da UFRJ, Denise Pires de Carvalho, e para o diretor do Museu Nacional, Alexander Kellner, dois livros históricos que descrevem como eram o ambiente natural e os recifes brasileiros, sendo um deles obra rara do século 19 e o outro de 1904.

“Mais do que uma tradução é uma celebração do legado de Laborel para o conhecimento da vida marinha brasileira, permitindo um retorno de cinco décadas a esses ambientes frágeis e importantes acompanhado da situação atual pelos pesquisadores dessas áreas”, destaca a coautora Débora Pires, que é fundadora do Projeto Coral Vivo, patrocinado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental. O leitor passará da percepção do que ele sabe hoje para conhecer como era no passado. “Para algumas pessoas, com a leitura do livro pode ficar o impacto do quanto muitos dos recifes brasileiros foram degradados. Para outras ficará uma visão mais realista de como eles eram antes da explosão populacional, agrária e industrial que mudou o Brasil, especialmente a partir da década de 1960”, completa Clovis Castro.

Com 376 páginas, “Recifes Brasileiros: O Legado de Laborel” é publicado pela Série Livros do Museu Nacional/UFRJ. Apresenta tradução do trabalho em francês "As Comunidades de Escleractíneos da Costa Tropical do Brasil" publicado em 1970, inclui imagens da obra original e outras inéditas da época em que Jacques e Françoise estiveram no Brasil, e conta com uma cuidadosa apresentação de termos técnicos usados pela primeira vez em português. Pesquisadores de 16 instituições nacionais e de fora do país, que trabalham em diferentes regiões do Brasil ou em temas específicos tratados por Jacques Laborel, relatam no livro os avanços no conhecimento obtidos após essa obra ou avaliam a importância de sua contribuição. Foram também inseridas outras imagens enviadas pelos colaboradores, incluindo as obtidas por Google Earth com anotações de pontos descritos ou mencionados por Laborel. A nova versão tem a abertura de Françoise Laborel-Deguen, que descreve o momento histórico e o ambiente de trabalho durante a estada da família no Brasil, quando vieram trabalhar no Instituto de Biologia Marítima e Oceanografia da Universidade de Recife. “Os estudos foram avançados para a época, porque eles já usavam fotografias aéreas e modernos equipamentos de mergulho e de fotografia subaquática. Laborel participou da expedição de Jacques Cousteau ao Brasil, no Navio Oceanográfico Calypso (1961-1962) e incluiu essa experiência em seu trabalho pioneiro no nosso país”, informa Débora Pires. Na abertura do livro há uma foto dele em expedição de 1962 usando cilindro de mergulho, na ocasião recentemente criado por Cousteau.

Estiveram presentes também no lançamento do livro representante da Gerência de Responsabilidade da Petrobras e Philippe Michelon, adido científico e tecnológico do Consulado-Geral da França no Rio de Janeiro, anfitrião do evento. O livro impresso “Recifes Brasileiros: O Legado de Laborel” terá distribuição gratuita para bibliotecas de universidades e institutos de pesquisa. A versão digital está disponível para download no site do Coral Vivo. Acesse agora.

Acervo do Museu Nacional ganha exemplar de obra rara perdida no incêndio

Uma obra que estava na exposição “Expedição Coral: 1865-2018”, em cartaz até o incêndio do Museu Nacional, acaba de voltar para a Biblioteca Central, localizada no Horto Botânico, na Quinta da Boa Vista. A bióloga francesa Françoise Laborel-Deguen, viúva de Jacques Laborel, fez a doação da obra rara e de outro título durante a noite de lançamento do livro “Recifes Brasileiros: O Legado de Laborel”, no Consulado-Geral da França, na Bibliomaison, no Centro do Rio de Janeiro. A considerada obra rara de 1868 em inglês é o livro “A Journey in Brazil” (Uma Viagem ao Brasil), de autoria do suíço naturalizado norte-americano Louis Agassiz e de sua mulher, Elizabeth Agassiz. Foi redigida a partir da Expedição Thayer realizada entre 1865 e 1866, que saiu de Nova Iorque e passou pela Amazônia, estados do Nordeste, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Ela aborda uma visão criacionista sobre os mestiços brasileiros e cita recifes de coral e peixes em alguns capítulos. Já o outro livro, também em inglês, “The Stone Reefs of Brazil, their Geological and Geographical Relations, with a Chapter on Coral Reefs”, do geólogo americano John Casper Branner, é de 1904. Aborda a geologia e a geografia dos recifes rochosos do Brasil, tendo um capítulo dedicado aos recifes de coral. Branner foi assistente do naturalista Charles Hartt na Comissão Geológica do Império de Pedro II, cujo material foi destinado ao Museu Nacional.


Sobre o Projeto Coral Vivo

O Projeto Coral Vivo realiza atividades associadas à pesquisa, educação, políticas públicas, comunicação e sensibilização para a conservação e a sustentabilidade socioambiental dos ambientes coralíneos do Brasil. Essas atividades envolvem pesquisadores de 14 universidades e institutos de pesquisa. O Coral Vivo é o coordenador executivo do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Ambientes Coralíneos (PAN Corais), que engloba 18 áreas desde o Maranhão até Santa Catarina, e 52 espécies de peixes e invertebrados ameaçadas de extinção. O Projeto integra a Rede Biomar, junto com os projetos Albatroz, Baleia Jubarte, Golfinho Rotador e Tamar, patrocinados pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental. Sua base e seu centro de visitantes estão localizados no Arraial d'Ajuda Eco Parque, seu copatrocinador, em Porto Seguro. Para mais informações, acesse: coralvivo.org.br.


Redação Projeto Coral Vivo. Fotos: Artur Moês | CoordCom/UFRJ.